quinta-feira, 24 de maio de 2012

Suécia promove no Rio semana preparatória à Rio+20

RIO DE JANEIRO - Representante sueco, Mikael Román, disse que são necessárias mudanças profundas, em todos os sentidos, para chegar ao desenvolvimento sustentável...
Agência Brasil - Publicado Jornal DCI - Diário Indútria e Comércio

RIO DE JANEIRO - A Embaixada da Suécia promove a partir da próxima segunda-feira (28), no Rio, a Semana da Inovação Brasil-Suécia: Inovação para o Desenvolvimento Sustentável. O evento é preparatório à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em junho na capital fluminense.

O conselheiro de Assuntos Técnicos e Científicos da Embaixada da Suécia e chefe do escritório de Análise do Crescimento sobre Inovação do governo sueco, Mikael Román, disse que são necessárias mudanças profundas, em todos os sentidos, para chegar ao desenvolvimento sustentável. "Grandes mudanças tecnológicas e também mudanças de comportamento. É um sistema sociotecnológico inteiro que tem de ser mudado", acrescentou. Para Román, essa mudança traz embutido o aspecto da inovação.

Ele lembrou que a mudança para um mundo sustentável exige não só o desenvolvimento tecnológico, obtido por meio das invenções, mas alterações comportamentais e da forma de fazer as coisas. “Aí entra toda a discussão da inovação”. A questão deve se basear nos pilares econômico, social e ambiental. ”Essa é a mensagem fundamental nessa discussão, e deve ser continuada”, recomendou.
Román destacou que a questão foi levantada há 20 anos, durante a Conferência da ONU para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio92), e que agora é preciso incluir os aspectos social, “tão importante no Brasil”, e econômico, “porque o mundo está em crise”.

O conselheiro sugeriu também que, como a implementação das metas políticas traçadas na Rio92 não deu certo, deve ser colocada no debate uma questão complementar, referente à atuação das pessoas e aos incentivos necessários para uma ação voltada ao desenvolvimento sustentável. Segundo ele, o debate sobre inovação é essencial para isso.

A Semana da Inovação Brasil-Suécia inclui três eventos simultâneos. O primeiro é a conferência Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, que reunirá no Planetário da Gávea, na zona sul do Rio, especialistas e autoridades dos dois países para debater modelos de inovação e como eles podem ser implantados para garantir às populações um futuro melhor.

Também no dia 28 será aberta no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, a exposição Suécia Inovadora, que já esteve nos Estados Unidos e no Canadá. A mostra,organizada pelo Instituto Sueco, ficará aberta ao público de 29 de maio a 8 de julho, seguindo depois para a China. A exposição apresenta problemas e soluções inovadoras nas áreas de tecnologia limpa, tecnologias da informação e da comunicação, além de ciências da vida. O foco é o desenvolvimento sustentável.

O terceiro evento é a competição Innovation Race (Corrida de Inovação), na qual dois times de estudantes brasileiros de nível superior – mestrandos e doutorandos – terão 72 horas para desenvolver processos, produtos e serviços. “Durante 72 horas, eles vão gerar o máximo possível de inovações que possam ser patenteadas. Ou seja, não basta fazer uma tecnologia interessante. É preciso ter um plano de comercialização, uma ideia de proteger isso como propriedade intelectual".

Uma banca de especialistas selecionará os melhores projetos, que serão anunciados no dia 1º de junho. O objetivo “é mostrar que inovação é muito mais do que tecnologia. É um time de pessoas com várias formações e capacidade colaborativa. A colaboração é essencial”, disse Román.

Líder mundial em inovação, a Suécia teve a capital, Estocolmo, eleita pela União Europeia como a primeira capital verde do continente. Para chegar a esse estágio, Mikael Román disse que a Suécia contou com elementos favoráveis, que são a inovação, a cooperação e a abertura às mudanças internacionais. O país teve que modificar o foco da produção, voltada até a 1ª Guerra Mundial para as grandes empresas, e passou a investir nas pequenas e médias, com integração entre os setores acadêmico e empresarial. A construção de clusters (arranjos produtivos) e parques de ciências foi buscada como solução de mercado pelo governo sueco. O esforço integrado contou com financiamento público e privado para um objetivo comum, explicou.

O conselheiro lembrou ainda que o Brasil e a Suécia têm interesses comuns em várias áreas, como celulose, bioenergia, recursos florestais e recursos hídricos. A Suécia está mais avançada nas áreas de telecomunicações, informática, indústria farmacêutica e aviação. Román observou que o Brasil é um mercado atrativo para os suecos, que têm cerca de 200 empresas no país. As relações bilaterais começaram no século 19. “Já há uma ligação estabelecida”.

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